Rio de Janeiro, 26º C. À saída do metrô carioca, o sol me saúda, morno e benéfico. Dá vontade de agradecer por isso; por que não ?
As pessoas são manequins, fora os notáveis do dia: miseráveis pedintes e livreiros de sebo.
Lá na ponta do Terminal um casal vende uma das melhores tapiocas da cidade. É para lá que vou, lépido. Por ali transitam as belezas do mundo !
Procuro meu amigo Sato, sempre posicionado frente à parede azul e branca, como se sua imagem inconfundível tivesse sido impressa pela luz de um sol atômico. Ele ainda não chegou; acerto o meu relógio por ele: 12:45. Mas ainda não. Antes, o queijo, o orégano, a cebola, o ovo. Menos de dois dólares. Bom negócio afinal !
Eis o Sato, indefectível, com seu suco na mão. Improváveis laranja, limão, gengibre e mel.
Noutro dia discutíamos a morte de um dos bateristas mais comportados do mundo: Charlie Watts. 2021, 80 anos. Os outros Stones detonando e Charlie morre primeiro: Vai entender !
- Dá um tempo ! - disse Sato. Isso não era justo !
Mas 80 anos é uma idade ótima. Nada como morrer com saúde. Claro que, no fim das contas, isso é o que importa: morrer com saúde. Numa manhã de 24 de agosto, curtindo um solzinho e boas lembranças.
Gênero Textual: Narrativo / Crônica.
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