O penúltimo ônibus para Teresópolis, na Rodoviária Novo Rio. Mesma plataforma de sempre; quem já pegou sabe. No caminho até o ônibus, notei que uma criança de seus seis anos, uma menina, estava sozinha, sentada numa das cadeiras perto do bebedouro. Ela, morena, com belos e longos cachos; casaco rosa. A lado de sua bolsa transparente, agarrada ao seu boneco de pano, olhava apreensiva para a entrada da plataforma. Estava sozinha. Comentei o caso com um colega que também estanhou o fato. Como fosse quase hora, aboletei-me no ônibus mas a cena ficou estampada em minha mente. Uma criança deixada ali, só, por mais de um minuto já me pareceria perigoso. Muita coisa ruim pode acontecer em um minuto. Do ônibus, liguei para o telefone da Rodoviária. Disque “1” para informações, dizia a gravação. Após o que me pareceu uma eternidade e vários ramais tocando em sequencia, um homem atendeu. Pedia que ele me colocasse em contato com a segurança. - Não há telefone da segurança - disse ele....