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Mostrando postagens de março 31, 2013

A máquina do tempo

Eu queria ser o inventor da máquina do tempo. Queria estar neste mesmo lugar, o topo, o 22o. andar, e observar, de meu casulo atemporal, protegido de qualquer mudança, o bailar do sol, das nuvens e sombras, o nascer e morrer dos prédios, a força catastrófica das águas, as revoluções e as mortes inúteis. Escolheria o melhor lugar para deixar meus recados a cada uma das eras: dentro das montanhas, na genética de um povo, na segura e previsível maré, tão certa e imutável quanto um rochedo incomensurável. Não posso. Não domino o tempo. Posso, no máximo, fazer as latinhas de aço, cerâmica ou, quem dera, grafeno. E esperar, sem esperança, que os recados cheguem àqueles que, no futuro, possam mais - se ainda viverem.