Esta pedra que apanhas
pelo chão
Branca como o sal ou
negra como a noite
Quando sai de tua mão
é rubra
Como o teu desejo
Como tua esperança de
ser livre
Mesmo abominando a
violência,
sou obrigado a orar.
Que esta pedra chegue
ao seu destino.
Mesmo afrontando
testas, nucas, olhos e ouvidos amigos,
mesmo pintando de
vermelho
as fontes conhecidas de
filhos e netos de irmãos
as pedras desdenham a
opressão,
premidas por finas e
certeiras mãos palestinas.
Chegam como gritos
indignados
Causando estupor e um
esgar de medo
Como coibir tais
pedras,
se elas são geradas
pelo fogo dos morteiros,
quebrando lares,
negócios, escolas e mesquitas ?
Se das cisternas e
poços destruídos nasce o grito:
- Ainda vivo e este
lixo que deixaste alcançará teus filhos !
E se pedras não mais
houver para atirar,
sinal de que cessaram
os ataques,
sinal de que voltaram
as construções,
haverá paz, não
esquecimento.
Pelo menos até que a
sabedoria dos conselhos
sepulte o ódio
na tumba da igualdade e
do perdão.
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