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Quase momento

Adoro o tempo que não temos e ninguém vem reclamar; Entre um falso positivo e um negativo certo; o calor de um projétil e o saber que é mortal. É um tempo, quase eterno, que cabendo na lembrança, já não cabe no real. As pessoas me acham leviano, esquecendo o valor desse meu tempo; mas sou viciado no evento, na tensão acumulada do momento. Abril - 2007.

Vampiros da arte

Eles vendem juventude ! Como é possível, vender idade antes da arte, frescor, antes de talento ? São vampiros numa noite musical. Quem tem talento, sempre terá, não importando o século. Mas sugam-lhes a vida, não importando o dom que tenham. Rêmoras temporais, chacais do atman. Quando as trevas levam os antes promissores, atacam novos talentos, aquecem novas dores, deixadas para trás há pouco. (circa julho/2009)

Sociedade Unida

Não se assuste, por favor, Não quero arrancar seu coração. Esse homem que te encontrou há tempos, nunca tinha sido visto na cidade. Não tenho dúvida de que ele foi cruel, roubou a experiência de uma vida. Como foi que aconteceu, Essa experiência dolorida ? Esse homem quem mandou, foi a sociedade unida. O horror, a violência, os atentados contra a vida. Essa guerra quem começou, foi a sociedade unida, foi a sociedade unida, foi a sociedade unida, foi a sociedade unida. Não há paz, não há paixão, corre o sangue da cidade, corre sangue em sua mão, erguida em movimento de defesa. Tão perigosa é a situação, Que a vida continua ilesa. A vida da cidade, a tua não. Se segura quem puder na existência. Esse homem quem mandou, foi a sociedade unida. O horror, a violência, os atentados contra a vida. Essa guerra quem começou, foi a sociedade unida, foi a sociedade unida, foi a sociedade unida, foi a sociedade unida. ...

Todos os dias

Todos os dias nesse vai-e-vem Todos na viagem ninguém vê ninguém Já se conhecem, até acenam Encenam um sorriso mas é só vontade Todos esses dias eu perdendo meu sossego Todos esses dias eu seguindo minha sina Aquecimento, alagamento, é tiroteio, atrocidade Quem sabe em cima, tem um momento, alguém entende, realidade Toda vez eu não consigo me livrar do lixo Que criei no meu silêncio de imaturidade A linha d´água é o monumento Da inutilidade desse desenvolvimento Já me disseram um dia que eu era o cara Já me chamaram até de poderoso e justo Mas só escuto outros lamentos De quem não fala, como eu invento Lidera, lidera, a revolução Lidera, lidera, a revolução Não tem mais chefe, não tem mais tribo Não tem mais dinheiro, acabou corrupção Lidera, lidera, a revolução Lidera, lidera, a revolução Não tem meia-palavra Não tem enganação (Só tem) Eu e você engajados na missão Não tem a ditadura Não tem a poesia Não tem a burgue...

Última volta

Deriva o pensamento na estrada na mente esvaziada de futuro Do mangue a esperança extraviada Na morte retratado o seu zelo O pelo do cachorro é uma capa na chuva que cai pouco no caminho O pássaro fazendo o seu ninho alheio às mudanças do seu mundo Ó Terra Gira para nós só mais uma vez Gira, por favor Ó Terra,  Só mais uma volta e depois retornam  as premonições Agônicos na beira da estrada Irônicos com a morte do futuro Fingimos serem poucas as mudanças que introduzimos nesse mundo cão A chuva com seu frio verdadeiro retrata a esperança no passado Algum conhecimento extraviado que nos remova deste lamaçal Ó Terra Gira para nós só mais uma vez Gira, por favor Ó Terra,  Só mais uma volta e depois retornam  as premonições (circa 20/11/2008)